
OXUMARÊ Osumarê ou Osumaré, é a energia das cores, da luz, do sol após as chuvas, o arco-íris, e por isso mesmo é associado às serpentes, que são muito coloridas e poderosas. Conta o mito que apesar de tudo que houvera com Obaluaiê, Nanan e Oxalá tiveram outro filho. Este era Osumarê. Contudo, como novamente eles haviam desobedecido aos preceitos de Orunmila, Osumarê nasceu sem braços e sem pernas, com a forma de serpente, rastejando pela terra, e ao mesmo tempo com a forma de homem. Mais uma vez decepcionada Nanan abandonou Osumarê. Osumarê entretanto possuía grande capacidade adaptativa e, mesmo sem membros para locomover-se, possuía imensa astúcia e inteligência, aprendeu a subir em árvores, a caçar para comer, a colher as batatas doces de que tento gostava, e a nadar. Orunmila, o deus da adivinhação do futuro, admirando-se e apiedando-se dele, tornou-o um orixá belo, de sete cores de luz, encarregando-o de levar e trazer as águas do céu para o palácio de Xangô. È Oxumarê, portanto quem traz as águas da chuva e é a ele que se pede que chova. Como seu percurso era longo, Oxalá, seu pai, fez com que ele tomasse a forma do arco-íris quando tivesse essa missão a realizar. Com as águas da chuva, Oxumarê traz as riquezas aos homens ou a pobreza. Oxumarê vive com sua irmã Ewa no fim do arco-íris.

Todos os dias Oxumarê passava em frente ao palácio de Xangô, exibindo a beleza de seus trajes e a riqueza de seus adornos em ouro. O rei olhava admirado e desejava muito ter um contato mais intimo com o jovem, porém, conhecia sua fama de não deixar ninguém se aproximar. Resolveu então preparar uma armadilha e para isso mandou que simulassem uma audiência real e chamassem Oxumarê afirmando que era uma ordem para todos os moradores do reino. Obediente às ordens de seu soberano, Oxumarê compareceu pontualmente no dia determinado. Lá chegando estranhou que estivesse tão vazio já que a ordem tinha sido a todos os súditos, pensou em voltar atrás, imaginando que poderia ser um truque. Mas era tarde, os soldados já o estavam encaminhando a sala do trono. Ao aproximar-se do rei prostrou-se ao chão, como era hábito. Ao erguer a cabeça percebeu um gesto brusco de Xangô dirigido aos soldados que imediatamente passaram a fechar todas as portas e janelas da grande sala. Percebeu que realmente fora enganado. Olhou em torno e não viu condições de fuga. Xangô levantou e se dirigiu ao rapaz, tentando tomá-lo nos braços. Oxumarê passou a se esquivar sempre procurando uma maneira de escapar. Corria de um lado a outro sem conseguir achar nenhuma saída ou mesmo um lugar onde pudesse se esconder. Tomado pelo desespero elevou o pensamento a Olorum em respeitoso pedido de ajuda. Olorum, sensibilizado pela prece do rapaz transformou-o em uma serpente no instante em que era apertado pelos fortes braços do rei. Este, tomado de susto e nojo, largou imediatamente a cobra que sinuosamente atravessou o corredor do salão e saiu por uma fresta da grande porta de entrada. Foi assim que Oxumarê livrou-se do assédio de Xangô. Muito tempo depois, quando ambos foram feitos orixás, Oxumarê ficou encarregado de levar água do mar para o palácio de Xangô, no Orum (céu). A essa tarefa Oxumarê se dedica exemplarmente até hoje, mas Olorum determinou que nunca mais Xangô pode aproximar-se dele.

Nana Buruju desejava ter um filho com Oxalá. Conseguiu o primeiro (OBALUAIÊ) ela o rejeitou e se livrou – se do mesmo. O Deus do destino disse que ela teria um outro filho belíssimo, mas jamais ficaria junto dela, e viveria percorrendo o mundo sem parar, e seria tão lindo como o Arco Íris. Durante seis meses Oxumaré transformava – se em um monstro a cobra, os outros seis meses era uma belíssima moça (Bessém) Bessém ficou com raiva de Nanã, porque, quando namorava os seis meses que era a moça estava tudo bem o problema era os outros seis meses que se transformava em uma cobra. O namorado sempre desistia do namoro e saia correndo. Oxumaré era pobre, pois o rei Oni nunca se mostrou particularmente generoso. Mas Oxumaré queria ter mais riquezas. Não sabia porém como ampliar seus rendimentos então Ifá trousse uma resposta: Tudo faria por ele se Oxumaré lhe fizesse uma oferenda. E assim ele fez a obrigação composta de uma faca de bronze, 4 sacos de búzios, 4 pombos. Mas o rei exigia exatamente neste momento a presença de Oxumaré no palácio, não podendo larga a cerimônia no meio, Oxumaré mandou dizer que logo após a oferenda iria. O rei não satisfeito mandou que cortasse os vencimentos, jogando Oxumaré na miséria. Mas Olokum, a rainha de um reino vizinho, mandou chamar Oxumaré, pois queria seus serviços, por que tinha um filho doente. Oxumaré novamente serviu de ponte entre os humanos e a divindade de Ifá. Procurou saber o que era necessário para o garoto fica bom, logo que descobriu cumpriu os ritos necessários e curou o garoto. A gratidão de Olokum foi tamanha que encheu de presentes, servos, roupas caras, enfim simbolizando a riqueza. O rei de Oni ficou surpreso e invejoso, mandou mais presentes a Oxumaré, só que ainda mais valiosos. Ifá cumpriu o prometido: Fez de Oxumaré uma pessoa muito rica e respeitada.

Oxumaré era, antigamente, um adivinho (babalaô). O adivinho do rei Oni. Sua única ocupação era ir ao palácio real no "dia do segredo"; dia que dá início à semana de quatro dias dos iorubas. O rei Oni não era um rei generoso. Ele dava apenas, a cada semana, uma quantia irrisória a Oxumaré que, por esta razão, vivia na miséria com a sua família. O pai de Oxumaré tinha um belo apelido. Chamavam-no "o proprietário do xale de cores brilhantes". Mas, tal como seu filho, ele não tinha poder. As pessoas da cidade não o respeitavam. Oxumaré, magoado com esta triste situação, consultou Ifá. "Como tornar-se rico, respeitado, conhecido e admirado por todos?" Ifá o aconselhou a fazer oferendas. Disse-lhe que oferecesse uma faca de bronze, quatro pombos e quatro sacos de búzios da costa. No momento que Oxumaré fazia estas oferendas, o rei mandou chamá-lo. Oxumaré respondeu: "Pois não, chegarei tão logo tenha terminado a cerimônia". O rei, irritado pela espera, humilhou Oxumaré, recriminou-o e negligenciou, até, a remessa de seus pagamentos habituais. Entretanto, voltando à sua casa, Oxumaré recebeu um recado: Olokum, a rainha de um país vizinho, desejava consultá-lo a respeito de seu filho, que estava doente. Ele não podia manter-se de pé, caía, rolava no chão e queimava-se nas cinzas do fogareiro. Oxumaré dirigiu-se à corte da rainha Olokum e consultou Ifá para ela. Todas as doenças da criança foram curadas. Olokum, encantada com este resultado, recompensou Oxumaré. Ela ofereceu-lhe uma roupa azul, feita de um rico tecido. Ela deu-lhe muitas riquezas, servidores e um cavalo, com o qual Oxumaré retornou à sua casa, em grande estilo. Um escravo fazia rodopiar um guarda-sol sobre a sua cabeça e músicos cantavam seus louvores. Oxumaré foi saudar o rei. O rei Oni ficou surpreso e disse-lhe: "Oh! De onde viestes? De onde saíram todas estas riquezas?" Oxumaré respondeu-lhe a rainha Olokum o havia consultado. "Ah! Foi então Olokum que fez tudo isto por você!" Estimulado pela rivalidade, o rei Oni ofereceu a Oxumaré uma roupa do mais belo vermelho, acompanhada de muitos outros presentes. Assim, Oxumaré tornou-se rico e respeitado. Entretanto, Oxumaré era amigo de Chuva. Quando Chuva reunia as nuvens, Oxumaré agitava sua faca de bronze e a apontava em direção ao céu, como se riscasse de um lado a outro. O arco-íris aparecia e Chuva fugia. Todos gritavam: "Oxumaré apareceu!" Oxumaré tornou-se muito célebre. Nesta época, Olodumaré o deus supremo, aquele que estende a esteira real em casa e caminha na chuva, começou a sofrer da vista e nada mais enxergava. Ele mandou chamar Oxumaré e o mal dos seus olhos foram curados. Depois disto, Olodumaré não deixou mais que Oxumaré retornasse à Terra. Desde este dia, é no céu que ele mora e só tem permissão de visitar a Terra a cada três anos. É durante estes anos que as pessoas tornam-se ricas e prósperas.
Fonte : lendas tirada do livro (Lendas Africanas dos Orixás) do altor Pierre Fatumbi Verger/ Caribé - Editora Corrupio
Oxumarê é simbolizado pela serpente.

Simbolizado pela serpente.
Sua tradução, quer dizer: arco íris, bem como uma versão, essencialmente masculino, e outra, como fêmea ou macho (Besèn e Frekuén).
Besèn, a parte feminina de Oxumarè, que se transforma durante seis meses do ano (também evidenciado pela sua mudança de pele).
Parente de Nanã e Obaluaiye, o que mostra sua relação com a terra e seus ancestrais.
É a mobilidade e a atividade.
Uma de suas obrigações, em suas múltiplas funções, é a de dirigir o movimento, é o senhor de tudo que é alongado.
O cordão umbilical, que está sob o seu controle; é o símbolo da continuidade e permanência e, algumas vezes é representado por uma serpente que se enrosca e morde a própria cauda.
Sua dupla natureza de macho e fêmea, é simbolizada pelas cores vermelha e azul que cercam o arco íris, ou, verde e amarelo dependendo da região.
Também representa a riqueza, um dos benefícios mais apreciados no mundo dos yorubás.
Seus iniciados usam brajás , longos colares de búzios, enfiados de maneira a parecer escamas de uma serpente, e trazer na mão um ebiri, espécie de vassoura feita com nervura das folhas de palmeira, ou Idan duas cobras em ferro forjado.
Durante suas danças, apontam alternadamente para o céu e para a terra.
Através do arco íris, se torna o elemento de ligação entre o céu e a terra, fazendo a ponte aiyé-orún, transporta mensagens e oferendas.
O arco-íris representa riqueza e fartura do orixá Oxumaré
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